CRÍTICA - Capitão Phillips


Capitão Phillips é baseado na história real do navio americano que foi abordado por piratas na costa da Somália, e teve seu capitão (sim, obviamente o do título) feito como refém no bote salva-vidas do navio. O filme acompanha a trajetória do Capitão desde sua saída de casa, até o resgate pelos SEALs, sem perder a tensão. E talvez seja por essa insistência em tornar tudo extremamente tenso, que o filme peque.

No início, a tensão é algo bom, estando presente na trilha sonora, nas feições do personagem título, nas ações do mesmo, na fotografia com câmera tremida. Mas, quando chegamos na metade do filme, essa tensão começa a cansar, e mesmo tendo assistido o filme no começo da tarde, algumas vezes minhas pálpebras ficaram pesadas, piscando mais demoradamente.

A edição, fotografia e trilha sonora trabalham magistralmente juntas, o que claro, é mérito do direto Paul Greengrass. Ele nos deixa claro as grandes diferenças dos dois "capitães" que o filme nos apresenta. O Americano, colocando a sua roupa, em seu carro, por sua rodovia, indo em seu porto, comandar o seu barco. Nesse caso temo uma fotografia limpa e azulada. O Somali, já vestido com sua roupa, colocando os seus chinelos, andando até a praia, escolhendo sua tripulação e indo para o barco. E aqui temos uma fotografia amarelada, saturada e cansativa (no melhor sentido).

Por sorte, o filme recupera seu ritmo no final, de forma a fazer uma piscada parecer um pecado. As últimas cenas são as melhores de todo o filme, e são também aquelas em que a ótima atuação de Tom Hanks se torna mais evidente. Nos últimos minutos, o ator me fez chorar, pois eu vi novamente os olhos de Forrest Gump, em um Hanks que não havia visto desde aquele filme. Com certeza as chances de indicação ao Oscar são altas. Destaque também aos atores que interpretaram os piratas somalis, conseguindo nos amedrontar apenas com um olhar silencioso, apesar de o roteiro os tratar como completos idiotas, sem qualquer plano aparente, sendo que o mesmo roteiro nos diz que eles roubaram um navio grego no ano anterior, mas o americano...bom, no americano foram infantis.

Apesar disso o filme se permite questionar o capitalismo, que os Somalis eram apenas pescadores, que aquela foi a vida que eles foram impostos por outros países maiores. Vemos nisso pelo sonho do capitão somali Muse, que era ir para os Estados Unidos, como qualquer pessoa do terceiro mundo.

Durante o filme, flagrei-me pensando em estar assistindo ao novo Argo, por tratar-se de um filme patrioticamente americano, que trabalha com um roteiro de emoções fortes e uma tensão tênue presente em cada cena, com grandes chances de se dar bem em premiações. Apesar de derrapar um pouco na metade (coisa que Argo também faz), se formos analisar os pontos fortes e fracos, Capitão Phillips teve um bom resultado final.

Nota: 9,5.

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