CRÍTICA - 12 Anos de Escravidão


Quando um filme começa a ser cotado como o favorito ao Oscar e sai vencendo tudo quanto é prêmio mundo afora, as expectativas que se cria para ele são altíssimas. Foi o que aconteceu comigo com 12 Anos de Escravidão. Eu estava ansioso para ver o filme, para ver se fazia jus a todo o alarde que estava sendo feito. Devo dizer que minhas expectativas foram 80% atendidas.

Não, isso não significa que o filme seja ruim. Muito pelo contrário, é uma obra de arte. Baseado na história de Solomon Northup, um negro livre que é sequestrado e vendido para a escravidão, o filme nos apresenta cenas fortes, cruas, expondo toda a crueldade existente na relação senhor-escravo. As cenas são de um cunho artístico inegável, e em diversos takes, estamos olhando para verdadeiras pinturas, imagens que muito bem poderiam ter sido utilizadas em livros de história, mérito da incrível fotografia utilizada no filme.

Além disso, outros fatores muito positivos são os figurinos e o design de produção, que nos levam completamente para a época e local da história. Agora, a trilha sonora é lamentável! O que aconteceu com você Hans Zimmer? Além de reciclar a trilha usada em A Origem (Inception), usou a mesma música o filme inteiro apenas acompanhada de alguns ruídos. Sim, ruídos, porque eu não chamo aquilo de música, a distorção da guitarra chega a ser, de tão agressiva e não condizente, ridícula com a cena. Bem feito não ter sido indicado ao Oscar!

Quando passamos à análise das atuações, existe certo equilíbrio. O protagonista, Chiwetel Ejiofor, foi claramente a escolha errada para o papel. Não há carisma algum no personagem, não há sofrimento, e suas feições são as mesmas do início ao fim do filme. Quando passamos aos coadjuvantes, a situação melhora. Michael Fassbender convence como o senhor cruel, maltratando seus escravos sem piedade. Agora, Lupita Nyong’o, ela sim sabia o que estava fazendo. Ela emociona, pois o sofrimento de sua personagem é palpável e a atriz não mede esforços para transparecer esse sofrimento. Se ela levar o Oscar, não será surpresa e muito menos injusto.

Fazendo um balanço geral, temos um equilíbrio entre os pontos fortes e fracos do filme. A direção de Steve McQueen se mostrou acertada naquilo em que o diretor podia controlar, e ele conseguiu criar uma obra que ficará na memória do cinema. 12 Anos de Escravidão é um filme excelente, que emociona e delicia aqueles que buscam o cinema como arte. É muito provavelmente o vencedor do Oscar de melhor filme deste ano, embora nós, do OCD, ainda preferimos e torcemos para Gravidade!

Nota: 10,0.

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