CRÍTICA - Zootopia
Por Jardel.
Em um ano que promete muitas animações, surge Zootopia, que muito provavelmente terminará como a melhor delas. O filme, que faz uma analogia da vida humana retratada em animais, merece inquestionavelmente todos os louros e o sucesso de crítica e público que tem conquistado.
Do maior elefante ao menor musaranho, a cidade de Zootopia é uma metrópole de mamíferos na qual vários animais vivem e prosperam. Quando Judy Hopps se torna a primeira coelha a se juntar a força policial, ela logo descobre que é muito difícil fazer cumprir a lei. Determinada a provar a sua competência, ela começa uma investigação sobre um misterioso caso. Mas infelizmente isso significa trabalhar com Nick Wilde, uma raposa que torna o seu trabalho ainda mais difícil.
A jornada de Judy é incrivelmente bem trabalhada, desde a sua infância junto de sua família, até sua nova vida em Zootopia. O que vemos aqui, é uma personagem perseguindo os seus sonhos com uma vontade inabalável, mesmo que todos ao seu redor, até mesmo os seus pais, a digam o contrário e tentem convencê-la de que é impossível realizar o seu sonho. Judy é o retrato daquelas pessoas que sonham alto, e mesmo nas situações mais adversas encontram esperança para continuar tentando.
Já Nick, é trapaceiro, malandro e gosta de levar a vida bem de mansinho, ganhando dinheiro de forma duvidosa. Depois que conhece Judy, o personagem é lapidado pela amizade que cresce entre os dois, e em determinado momento, conhecemos os suas motivações mais enraizadas, por experiências vividas na infância, em uma cena que é de cortar o coração.
O desenvolvimento dos personagens é tão bem realizado quanto a técnica da animação, que está simplesmente impecável. As expressões faciais dos animais estão perfeitas, e já podemos ver isso nas primeiras cenas, com as expressões dos pais de Judy. Assim como a construção de Zootopia e os seus mais diversos distritos, trabalhados cuidadosamente nos mínimos detalhes. E isso pode ser percebido na viagem de Judy a Zootopia, enquanto ela passa de trem por todos os ambientes da cidade, ao som energizante de “Try Everything” de Shakira. A cena é arrepiante e é o equivalente da cena de Elsa subindo a montanha e construindo o seu castelo em Frozen.
Por fim, o maior poder de Zootopia está na mensagem que o filme quer passar, que é absolutamente necessária no cenário atual. São abordadas as relações familiares, crimes políticos, a desigualdade social e principalmente o preconceito contra as minorias e a busca pela realização dos sonhos. É nesse ponto que o filme toca fundo na alma de todos os espectadores, e é impossível não se identificar. Se você tem um grande sonho e assiste ao filme, se emocionará. Agora, se você tem um grande sonho e faz parte de uma minoria, se sentirá parte daquela história, se sentirá representado por Judy e por Nick. Não importa o que você é, uma raposa, um coelho, um elefante, um leão... Somos todos diferentes, mas somos todos animais, e é isso que realmente importa. Zootopia é estupendamente magnífico.
Nota: 10,0!







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