CRÍTICA LITERÁRIA - O Grande Gatsby


Francis Scott Key Fitzgerald, ou como é conhecido, F.Scott Fitzgerald, nasceu, viveu e morreu em um Estados Unidos em constante ebulição, superaquecido, em meio a uma crise e o corte de qualquer bebida com a Lei Seca. É sob esse cenário que Fitzgerald vivia e foi nisso que ele se baseou para escrever, o que é considerado por todos, sua Obra-Prima, O Grande Gatsby. 

O livro conta a história de Nick Carraway, um jovem comerciante que desistiu de seu sonho de escritor, ele se muda para Long Island, West Egg, onde o seu vizinho, o bilionário Jay Gatsby, realiza suas suntuosas festas com centenas de pessoas todos os sábados.  Apesar de Nick odiar o materialismo e o glamour dessas festas e pessoas, ele comparece, pois foi convidado pelo dono, Gatsby. 

Ao se envolver mais no mundo de Gatsby, Nick conhece a história por trás do anfitrião e o motivo por todas aquelas festas e sua visão sobre o bilionário começa a mudar aos poucos.

Ao mesmo tempo que ele começa a frequentar as de Gatsby, ele decide reviver os laços com a família. Sua prima Daisy, que mora do outro lado da baía em West Egg, não foi difícil para que ele achasse qual era a casa. Lá Nick encontra Tom Buchanan, marido de Daisy. E também em sua visita encontra a estonteante Jordan. 

Nick começa a entender o que está acontecendo, começa a desvendar os segredos de Gatsby e porque tudo aquilo estava acontecendo. A partir daí vemos a decadência do glamour que nos foi mostrado, aqui Fitzgerald liga o seu modo completamente crítico e mostra a depressão de uma classe social, subvertendo por completo o “Sonho Americano” e colocando em cena o “Jeito Americano”. Tudo isso se inicia no capítulo genial do hotel em Manhattan.

Não sei se é assim a escrita da época de Fitzgerald, mas o floreio de palavras e os vários substantivos nos colocam ainda mais no clima, pois torna tudo mais real se tratando de convenção histórica. E o que ajuda ainda mais nisso é que Fitzgerald além de escritor era também um poeta, e isso é perceptível em cada olhar diferente para o que tudo mundo vê ser igual. Isso torna a leitura rica e inesquecível. 

Seus personagens são interessantíssimos, pois todos giram em torno de seus próprios eixos. São sistemas solares inteiros que convergem entre si algumas vezes, mas na maior parte são as suas frivolidades e desejos que importam. Apenas Nick é o diferente, o olhar do autor, o olhar de deus, ele não tem desejos próprios, ele é o cometa que orbita em torno de todos eles. E quando o cometa e todos esses sistemas solares se chocam, a única coisa que sobra é um cometa solitário. 

Em O Grande Gatsby, Fitzgerald explora o lado ruim das pessoas, o lado obsessivo, compulsivos, luxurioso, denegrindo totalmente a imagem dos ricos da Década de 30, os transformando em ignorantes que a única coisa que sabem fazer é ter mais que os outros. Mas também, aos olhos de Nick, nos mostra que todos eles são frutos do meio onde vivem, como um barco no rio seguindo a maré, e eles vão e voltam como as estações. 

O Grande Gatsby é um dos melhores, se não o melhor, livro que já li. Uma história incrível e um belíssimo retrato histórico de uma época. Gatsby com toda a certeza deve ser uma leitura obrigatória! 

Nota: 10,0! 

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