CRÍTICA - Noé


Se você pretende ver Noé e espera aquela história do bom samaritano que constrói uma arca a pedido de Deus para salvar um par de cada espécie de animal e sua família de um dilúvio, exatamente como sempre nos foi contada, não perca seu tempo. Quero dizer, a premissa é a mesma, mas a forma como a história é contada tem inúmeros adendos, diferentes do que se espera em um conto bíblico.

Darren Aronofsky (Cisne Negro), diretor, roteirista e produtor de Noé, criou toda uma mitologia para complementar a passagem bíblica da Arca de Noé, com direito a gigantes de pedra, guerra e pessoas com superpoderes. Tudo isso, acredito eu, com o objetivo de deixar a história mais grandiosa, como se um dilúvio não fosse por si só grandioso, e um pouco contraditória. Uma das cenas que deixa isso claro, e que é interessante, é no momento em que Noé conta a passagem de Gênesis, da criação, com imagens do Big Bang e da teoria evolucionista. Mas no fim, o filme peca em um elemento essencial para qualquer produção. O roteiro. No fim a história acaba ficando vazia e sem um objetivo claro ou uma grande mensagem.


Mas o filme não é de todo ruim. Os efeitos especiais utilizados cumprem com o seu objetivo, apesar de nada ser novidade. A fotografia também é agradável, apesar de ser prejudicada pelo 3D, que mais uma vez é totalmente indispensável. Um grande ponto forte aqui é a trilha sonora, que é grandiosa e retumba combinando com as cenas que complementa. 

Outro grande ponto forte são as interpretações. Russel Crowe, que vive Noé, convence criando um personagem meio perturbado e cheio de incertezas, apesar de não chegar perto de suas melhores atuações. Jennifer Connelly vive novamente a esposa de Crowe, e entrega a melhor interpretação do filme, como Naameh, a esposa de Noé. Ela encarna a mãe de família que acompanha o marido para onde quer que seja, mesmo que isso a faça sofrer, com maestria, podendo até mesmo ser lembrada no Oscar de 2015. Se você for chorar no filme, será por causa de Connelly, ou por Emma Watson.


A eterna Hermione, de Harry Potter, vive Ila, garota acolhida por Noé e sua família e que tem um relacionamento com o primogênito da família. Apesar de não conseguir deixar de lado a sua imagem de menininha, quase que como a cantora Sandy, Watson consegue brilhar e provar que é uma das melhores atrizes jovens da atualidade. Falando em atores jovens, quem também merece ser mencionado é Logan Lerman, apesar de não fazer muito no filme, mas nas cenas em que aparece faz um ótimo trabalho. E, é claro, não podemos deixar de citar Anthony Hopkins, que dá vida a Matusalém, o avô de Noé. O ator faz aquilo que sabe fazer de melhor, um personagem de sanidade questionável.

De forma geral, Noé é um bom filme, apesar de não conseguir vencer a sensação de algo faltando. Peca em alguns pontos, mas recupera-se em outros, tornado-se assim um filme mediano. Mas um aviso: se você for religioso, pode ficar descontente.

Nota: 8,0.

Comentários

Postagens mais visitadas