CRÍTICA - Blue Jasmine


Blue Jasmine nos deixou completamente deslumbrados, superando muito as nossas expectativas. Temos aqui um filme em que, por maior que seja o nosso esforço, não conseguimos encontrar um único defeito. Até mesmo aquilo que pensamos ser um defeito, após uma análise mais aprofundada se mostra sensato e completamente necessário para o filme. Tudo se encaixa de maneira única, levando à um filme hipnótico, apreensivo e cômico. Uma verdadeira obra de arte.

Entretanto, temos um elemento que sobressalta aos nossos olhos e nos deixa literalmente boquiabertos e espantados. Esse elemento tem nome, e se chama Cate Blanchett. Ao assistir Blue Jasmine eu a via interpretar a personagem título com a estatueta do Oscar na mão. É dela, é dela, é dela! Se não for, será preciso uma justificativa muito convincente. Blue Jasmine é inteiramente a interpretação de Cate Blanchett, que está simplesmente incrível!

Jasmine é uma socialite de Nova York que após quebrar financeira e psicologicamente busca abrigo na casa da irmã em San Francisco. Ela continua ostentando sua posição de ricaça metida, mas não tem um tostão no bolso. Com isso ela passa a estudar decoração de interiores e trabalhar como recepcionista de um consultório dentário, o que acaba sendo desastroso. Em cada nova tentativa de superar o passado e dar a volta por cima, Jasmine beira à um colapso nervoso, com acessos de pânico, tremendo e balbuciando palavras sem sentido, e é nessas horas que o excelente trabalho de Cate Blanchett fica mais evidente.

Juntamente com essa nova realidade de Jasmine, somos levados ao passado, para uma época em que as suas maiores preocupações eram festas beneficentes e viagens acompanhando o marido charlatão. A transição entre presente e passado pode, no início, incomodar um pouco, pois causa confusão. Mas é justamente esse o objetivo de Woody Allen, nos deixar confusos e perdidos como Jasmine. O diretor conseguiu extrair as melhores interpretações possíveis do elenco, e empregou novamente uma belíssima fotografia, que combinada às maravilhosas locações, típicas de filmes de Allen, criam uma experiência única. 

Assinando também o roteiro, Allen nos presenteia com diálogos repletos de significado e que em uma única frase contam uma história inteira. Conseguimos conhecer cada personagem apenas pelas suas falas, todo o seu passado, seus problemas e suas aspirações, e nenhum deles tem um tratamento superficial, pois realmente os conhecemos.

Também não podemos deixar de mencionar a excelente trilha sonora do filme, que em certos momentos denotava comédia em cenas que tratavam de algo sério, algo que só é possível com Woody Allen. É essa mescla de fatores que tornou Blue Jasmine um filme marcante e memorável, daqueles que você assiste e não quer que acabe. A única coisa que me deixou triste, é que estávamos em apenas duas pessoas no cinema, o que prova que os olhos do público estão voltados para o entretenimento, deixando de lado o verdadeiro espírito e objetivo do cinema como arte.

Nota: 10,0!

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