CRÍTICA - Um Time Show de Bola


Em uma cidadezinha qualquer, vivia um menino. Esse menino é Amadeu. Amadeu adora jogar Pebolim, e Pebolim é o que ele sabe fazer. E se os craques desse Pebolim criassem vida? 

"Um time show de bola" tem uma plot digna de qualquer time da Pixar, pois mexe com sentimentos, desde os que temos depois de adultos, quanto o sentimento de criança. É claro que temos o futebol, mas ele aparece apenas em dois momentos do filme, no começo e no fim, o futebol não é o centro aqui, mas sim os personagens! 

Os pequenos jogadores são realmente fascinantes. Desde suas aparências, que ressaltam ainda mais a origem hispano-argentina do filme, até a dinâmica de interação entre eles, pois as rivalidades são elevadas ao nível "novela mexicana", performáticas, verborrágicas e falando alto, muito alto. Cada jogador é um estereotipo e isso é interessante para aqueles que gostam e até para os que não gostam, pois frases como "vamos entrar lá e fazer o nosso melhor", "a gente está trabalhando duro para mudar esse jogo" ou "temos que ficar unidos para poder vencer" é facilmente identificada e isso se torna engraçado para os que não gostam (Eu por exemplo). 

Em contra partida, temos o drama de Amadeu, que perdeu o pacato bar em que jogava Pebolim, mesmo depois de adulto, para um antigo rival, um garoto encrenqueiro que perdeu de Amadeu quando era mais jovem e voltou para a cidade como o melhor jogador de futebol do mundo! (Qualquer semelhança com o Cristiano Ronaldo, não é mera coincidência). Além de perder seu amado Pebolim, ele perde sua amada, e claro, irá resgatá-la. E isso tudo claro, com a boa carga de dramalhão mexicano. 

Contar mais que isso é estragar a história do filme, mas não posso deixar de mencionar, as partidas de futebol. A técnica de câmera nesse filme é muito boa, e se mistura com a fotografia, o que faz o filme não dever em nada para qualquer outro filme da DreamWorks ou Disney. A câmera acompanha os pequenos jogadores no nível do campo, entrando na grama, e tudo isso em 3D, que é bem utilizado nesse filme.

Não posso deixar de mencionar os personagens secundários, que muitos deles não tem falas, mas são tão cativantes quanto os principais. O diretor argentino Juan José Campanella, ganhador do Oscar com "O Segredo dos Seus Olhos", executa aqui um filme completamente diferente do que sabíamos que ele era capaz, mas não abandona as origens, porque mesmo sendo um filme para criança, temos uma forte crítica: "NO FUTEBOL, TUDO SÃO NEGÓCIOS". 

Mas o futebol é uma caixinha de surpresas, peixe! E nem só de elogios que "Um Time Show de Bola" sobrevive. O grande defeito do filme, que incomoda durante toda exibição, é o roteiro. Apesar de ter comparado com a Pixar, isso se limita apenas a plot, pois a execução não chega aos pés do Estúdio. 

O roteiro é completamente maluco, não conseguimos sentir motivação nenhuma dos personagens. Os pequenos jogadores chegam a ser psicóticos de tanto que se importam apenas com o futebol, essa falta de camadas atrapalha bastante. E isso também acontece com Amadeu, que não se decide se resgata os companheiros ou se corre atrás da amada ou se fica sem fazer nada. Por fim, um filme que tem estilo Pixar, mas não o sentimento necessário para ser comparado a um. 

Apesar dos pesares, o filme é uma ótima pedida, vai empolgar a todos, fazer "Ôlas", gritar, xingar o juiz, reclamar do pênalti não marcado, e torcer para aquela bola não entrar.

Nota: 8,0.

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