CRÍTICA - Carol

Por Kainã


Em Carol, Todd Haynes nos traz um filme sútil e sensível sobre duas mulheres que se apaixonam nos anos 50 e o grande acerto do filme é ser, sobretudo, uma história de amor.

A jovem Therese Belivet (Rooney Mara) tem um emprego entediante na seção de brinquedos de uma loja de departamentos. Um dia, ela conhece a elegante Carol Aird (Cate Blanchett), uma cliente que busca um presente de Natal para a sua filha. Carol, que está se divorciando de Harge (Kyle Chandler), também não está contente com a sua vida. As duas se aproximam cada vez mais e, quando Harge a impede de passar o Natal com a filha, Carol convida Therese a fazer uma viagem pelos Estados Unidos.


O filme não nos apresenta uma história fácil, é praticamente uma história secreta de duas mulheres que se amam. Olhares, sorrisos, pequenos toques e muitos pensamentos entre uma tragada e outra do cigarro. Carol nos conquista com a sensibilidade e a sutileza, seja da fotografia, das cores ou na atuação. Em nenhum momento o filme teve a necessidade de dizer que eram duas mulheres juntas, mas sim que o amor entre as duas era o que realmente importava. E é claro, não podemos nos esquecer da bela trilha sonora de Carter Burwell, que nos embala durante o filme, e do fantástico trabalho das equipes de figurino e design de produção, que nos transportam no tempo, de volta aos EUA dos anos 50.


Cate e Rooney estão perfeitas no filme. Cate que interpreta a personagem título está incrivelmente sedutora e mais linda do que nunca, fazendo uma Carol que sabe para onde vai e o que quer, mas também se permite a sensibilidade. Rooney faz uma Therese completamente envergonhada e tímida, quase introspectiva, que nunca tomou uma decisão por si mesma, deixando se levar na maioria das vezes. Fazendo com que seu sentimento por Carol seja uma de suas grandes decisões. É um grande mérito do roteiro a construção dessas duas personagens. Elas são trabalhadas em cada nuance, cada camada que as forma, e as atrizes, empregando seu pleno talento, as trazem à vida.


No filme permeia-se uma cor, e ela é o vermelho, que na maioria das vezes acompanha as vestimentas de Carol, simbolizando o amor, a paixão e até mesmo a personalidade dela. Assim como Therese, mas nesse caso é o corte de cabelo, que muda quando a personalidade da personagem também muda.

Carol é um filme lindo e emocionante tanto quanto é necessário para todo mundo nos dias de hoje. Ao final do filme nos pegamos chorando, talvez por termos a oportunidade de compartilhar essa história de amor secreta entre duas mulheres. O que faz pensar mais uma vez no Oscar e nos motivos para Carol estar fora da indicação de Melhor Filme. Definitivamente não há motivos artísticos ou técnicos que justifiquem essa ausência. Carol é uma obra-prima.

Nota: 10,0!


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