CRÍTICA - Spotlight: Segredos Revelados


Logo depois de escrever e dirigir o filme "Trocando os Pés" com Adam Sandler, quem diria que Tom McCarthy faria um filme tão sério, impactante e necessário como Spotlight.

Baseado em uma história real, o drama mostra um grupo de jornalistas em Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos. Durante anos, líderes religiosos ocultaram o caso transferindo os padres de região, ao invés de puni-los pelo caso.

O filme tem uma frieza dura e necessária, as duas horas de filme não estão ali para serem enfeitadas, mesmo sendo um filme. A trilha sonora contribui para isso, feita pelo Mestre Howard Shore ela é simples e profunda, apenas um piano e poucas notas transmitindo toda a tristeza e o clima de investigação.

Todos os atores estão bem contidos, talvez por não conhecermos as pessoas na vida real, não há como saber se o trabalho para refinar a atuação foi bom ou não. O fato é que Rachel McAdams está indicada para o Oscar como melhor Atriz Coadjuvante, mesmo que não se destaque no filme. Mark Rufallo também está indicado a melhor Ator Coadjuvante, mas nesse aqui vimos em tela o motivo, por ele ser o mais passional de todos no grupo Spotlight, podemos ver ele atuando mais e explodindo em determinado momento do filme, mas fora isso também vemos que ele trabalhou em certos tiques para o personagem e um jeito completamente diferente de falar, que pode vir da pessoa real em que o filme se inspira.


Por se tratar de um filme investigativo, três coisas precisam estar em perfeita sintonia: Direção; Roteiro; e Edição. Em Spotlight esses pontos se encaixam perfeitamente, não fazendo com que fiquemos cansados nessas duas horas, mas sim compenetrados na história, envolvidos com tudo que está acontecendo, para que isso mais para frente possa resultar no que é esperado para esse filme, o choque entre as realidades. 


E essa realidade é a de que padres da igreja católica de Boston abusavam de crianças e quem poderia fazer algo para que isso acabasse, não havia feito até o momento. Nós vermos que nada disso tem a ver com o fato da vitima ser homossexual ou não, menino ou não, mas sim a parte que isso destrói a vida de uma pessoa e quem deveria estar fazendo algo para melhorar, apenas piora. E nossa raiva apenas aumenta durante o filme, mostrando que os padres que cometeram o crime são apenas remanejado de igreja para igreja e não punidos terminantemente. E ao final do filme temos a dura realidade de que nada muda e de que isso acontece no mundo todo, até mesmo no Brasil ou na cidade que você está nesse momento lendo está crítica. Mas em nenhum momento o filme precisou nos agredir com cenas pesadas, detalhes como a vida destruída dos sobreviventes, dos muitos que se suicidam e o constante número crescente de padres a cada momento do filme já faz isso.

Spotlight é um filme forte e necessário, é no mínimo uma tentativa de abrir os olhos das pessoas para o que está em volta, mostrando um outro lado do cinema, um lado que vai muito mais além de pipoca e refrigerante. Preste atenção nos sinais que as crianças dão, cuidado nunca é demais, pois mesmo nos ambientes mais seguros podem acontecer as piores atrocidades e as mais irreversíveis.

Nota: 10,0!

Comentários

Postagens mais visitadas