CRÍTICA - Ela

Com um tema totalmente adequado para a era que estamos vivendo, Ela (Her) nos conta a história de um homem solitário e antissocial que se apaixona por um sistema operacional. Pois é! Você já se imaginou profundamente apaixonado pelo Windows ou o iOS? É mais ou menos por aí que o filme se aventura. Existe claramente a crítica de que estamos deixando de lado os contatos humanos para conviver cada vez mais com as máquinas e as tecnologias.
No filme, Joaquin Phoenix vive Theodore, um homem que recentemente separou-se de sua esposa e vive uma vida melancólica e solitária. Seu trabalho? É escrever cartas de pessoas estranhas para pessoas estranhas, colocando nelas seus sentimentos, e não a dos remetentes. Sim, é estranho assim mesmo. Mas a vida de Theodore muda completamente quando adquire a mais nova moda tecnológica: um sistema operacional que fala conosco e nos permite escolher a voz de um homem ou mulher. Ele escolhe a voz de mulher, que é de ninguém menos que Scarlett Johansson. O relacionamento entre Theodore e Samantha (o sistema) fica cada vez mais profundo, até o ponto de se tornar amor. O restante da história é spoiler.
O roteiro de Spike Jonze nos presenteia com diálogos profundos e situações emocionantes, que nos fazem refletir. Ele obviamente também permite ao atores interpretações impressionantes, tanto dos que aparecem em tela, como Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara e Olivia Wilde, quanto daquela fabulosa atriz da qual só ouvimos a voz, Scarlett Johansson. Phoenix está impecável, ele é com certeza um dos melhores atores para interpretar personagens um pouco perturbados ou psicológicamente instáveis com tamanha veracidade. E Scarlett Johansson incrivelmente conseguiu transmitir sentimentos apenas através de sua voz, provando que ela pode sim ser alguém muito além de um rosto bonito e um corpo escultural.
Nos quesitos técnicos, Her também se sobressai. A fotografia é clara, as vezes brilhante, combinando com o clima do filme. A trilha sonora, composta grande parte por notas em piano, não deixa a desejar, com trechos crescentes que se encaixam perfeitamente aos momentos vividos pelas personagens. Os cenários coloridos e o figurino extravagante, meio hipster, servem de plano de fundo para o futuro apresentado por Jonze, que por sinal fez um excelente trabalho como roteirista e diretor.
De suas indicações ao Oscar, Ela provavelmente levará a estatueta de melhor roteiro original, embora mereça o mérito pelas demais indicações, que são perfeitamente justificáveis. É imperdível!
Nota: 10,0.


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