CRÍTICA - A Menina que Roubava Livros
Quando a morte vem para lhe buscar, não há para onde fugir. Mas, às vezes, ela busca todos a sua volta, e você vai ficando e ficando, e sua hora nunca chega. E uma coisa é certa: quando a morte decide contar uma história, vale a pena sentar para ouvir. Esse é o caso de Liesel, uma menina que é adotada por um casal que vive em uma pequena vila da Alemanha em 1938. A história que nos é contada em A Menina que Roubava Livros é emocionante e certamente tocará até o coração dos mais insensíveis.
Liesel dá início ao seu vício de leitura quando rouba o manual de um coveiro, sendo esse o primeiro livro lido pela garota, com a ajuda de seu pai adotivo. Quando ocorre uma queima de livros no vilarejo onde mora, como forma do Nazismo impedir a difusão do conhecimento judeu, Liesel acaba roubando um livro da fogueira, quando a mesma estava no fim, encontrando ali o seu segundo livro. Apesar do título do filme tratar dos livros, o cerne da história é o relacionamento de Liesel com aqueles à sua volta, e sua descoberta do mundo como um lugar cruel e onde a perda faz parte da vida das pessoas.
O filme não tem medo de tocar no tema Nazismo, vemos a "Noite dos Cristais" se abordada no filme, mas não como um ato central do mau nazista, mas sim algo que aconteceu. E também é abordado como as crianças eram tratadas nessa Alemanha pré-guerra e durante a Guerra, que inicialmente aprendiam musicas sobre a supremacia germânica e depois eram recrutadas para tropas de elites. O filme também tem muitas falas em alemão, o que chega a ser uma surpresa devido ao público para qual ele foi feito.
A fotografia do filme é belíssima, juntamente com uma direção de arte que cumpre com o proposto. A trilha sonora, composta pelo 48 vezes indicado ao Oscar, John Williams, é contida, e até o final ficamos esperando pela grande música, mas, nada! Não é tão ruim quanto Hans Zimmer em 12 Anos de Escravidão, mas parece que os mestres das trilhas sonoras estão perdendo a mão.
As interpretações são medianas, não tendo nenhuma atuação que fosse incrível. Quem merece destaque é Sophie Nélisse, que interpreta Liesel sem qualquer intimidação por ser a protagonista e consegue emocionar o público. Agora, uma coisa é certa, todas as personagens são extremamente carismáticas, e o filme nos leva a nos importar com elas.
E claro, não podemos esquecer da cereja do bolo: a narração pela morte. As falas por ela proferidas tem um tom de sarcasmo que chega a incomodar, como por exemplo na frase: “eles pensavam que corriam de encontro ao inimigo, quando na verdade corriam de encontro a mim!”. Isso, com certeza, não é algo que se vê todos os dias no cinema.
A Menina Que Roubava Livros merece atenção, e apesar de não ser exatamente grandioso ou incrível, emociona e conta uma belíssima história. Vale a pena conferir!
Nota: 9,0.



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