Remakes - Refazendo Hollywood


Não é de hoje que o tempo anda meio diferente. O relógio do mundo está acelerado já faz muito tempo, mas algumas pessoas parecem gostar e se apegar muito nos seus gloriosos tempos da juventude, onde tudo era mais livre, mais leve e na maioria das vezes mais solto. 

No mundo do cinema as mudanças também acontecem e com toda a certeza, são mais perceptíveis que as do mundo real, pois podemos revisitá-las a qualquer momento. Começando de agora para trás, podemos ver diferenças gigantescas se formos retrocedendo de dez em dez anos, até chegar ao cinema mudo. 

E por falar em cinema mudo, o que diria Chaplin ao ver que seu filme “Tempos Modernos” finalmente se tornou realidade? Ou então sentar na poltrona do seu tão amado cinema e ver um filme 3D? 4D? HFR? IMAX? 4K? O fato é que tudo evolui e querer que as coisas sejam como no passado é muito saudosismo ou mente fechada.


A mais recente polêmica no cinema é o REMAKE, que na etimologia da palavra significa refazer. Para quem não esta muito informado, Hollywood algum tempo atrás quase quebrou tamanha foi a baixa da lucratividade que teve. Mas um cara chamado James Cameron, conseguiu reerguer aos poucos o império hollywoodiano com a sua tecnologia 3D. 

Mas como quem erra, aprende, Hollywood decidiu que os filmes não deveriam mais arriscar o dinheiro dos estúdios. Os grandes orçamentos agora são liberados apenas para o filme que os estúdios tenham certeza do retorno (em alguns casos os fracassos acontecem também) e na visão dos produtores, o que mais pode dar dinheiro do que uma história que já esta na cabeça de todas as pessoas? E é aí que começa a dor de cabeça para os “Remakefóbicos” e a mudança completa da indústria do cinema hollywoodiano, que se importa menos com a Sétima Arte e mais com o lucro que ela vai dar. 

E isso é completamente admissível, o capitalismo afeta a todos e ele é uma força pela qual não conseguimos combater, mas existem dois tipos de capitalismo no cinema: O Capitalismo Legal, que é onde você recebe um bom produto final; E o Capitalismo por Capitalismo, que recebemos apenas a vontade do estúdio de lucrar a qualquer custo. E é no segundo onde entram a maioria dos remakes. 

Vamos pegar o exemplo de dois recentes remakes, o primeiro é “Vingador do Futuro”, Capitalismo por Capitalismo.


O filme original (Total Recall) é de 1990, dirigido por Paul Verhoeven e estrelado por Arnold Schwarzenegger e conta a história de um trabalhador que decide apelar para a empresa Recall. Tentando ter memórias mais aventurescas, ele decide-se pelo implante de memória, mas algo da errado e ele começa a se lembrar de coisas que ele não sabia fazer parte de sua mente. Sua mulher não era a mesma pessoa com quem vivia há anos e a vontade que tinha de ir para Marte era completamente diferente do que imaginava.

Sim! Essa é a história de um filme estrelado pelo Arnold. Um filme com uma ótima história e memorável em seu tempo. O que não se pode dizer do remake de 2012, com Len Wiseman (Franquia Anjos da Noite) na direção e o completamente sem carisma, Colin Ferrel .


O remake de 2012 deturpa o filme original e vários aspectos, na trama, no mundo e até no conceito, pois se no original estamos em dúvida a todo o momento sobre o que está acontecendo, se é real ou não, nesse aqui somos tratados como idiotas.

Os roteiristas quiseram bater na mesma tecla o filme inteiro, se tudo aquilo era realmente verdade ou não. O público não tem tempo para pensar, pois essa pergunta é intercalada de uma ação sem limites e completamente frenética, pois nosso protagonista, Quaid (assim como no original) está sendo perseguido por sua mulher.

Então chegamos a um ponto chave dos remakes, sempre a releitura de algum filme acrescentará muita ação à obra, pois como dito no começo deste texto, o mundo mudou e hoje queremos coisas mais ágeis, o que me leva ao segundo remake, Robocop, que é do tipo Capitalista Legal.


O original de 1987 que também é dirigido por Paul Verhoeven é um clássico pautado por suas críticas ácidas, violência ao extremo e às vezes sem motivo e pela visão de futuro acertada por Verhoeven, ao prever a decadência de Detroit.  O primeiro é irretocável, um filme sobre o questionamento homem-máquina, se a máquina supera o homem ou não e ao final da obra, percebemos que não, ela não supera, pois ao perguntarem para Robocop qual o seu nome, ele não titubeia e manda: “Alex Murphy”.

Mas além disso, Robocop tem várias camadas de entendimento e metáforas que podem ser refletidas nos dias de hoje.

Outro fato que faz Robocop ser o que é, é o fato de ter passado na televisão enquanto ainda éramos crianças sem corte algum, o que serviu para guardamos aquele filme com o coração, principalmente pela violência. 


Já o remake de José Padilha (Tropa de Elite) aposta em manter as críticas ao Estado, mas não as sociais. Manter o Robô, mas no o lento e travado como antigamente, mas sim o ágil e tático. Manter a Corporação, mas não de velhos e engravatados, mas de jovens e visionários que querem a aprovação não só do governo, como também do povo. Manter as cenas de ação, mas torná-las mais rápidas e dinâmicas e não lentas como no filme original. E resolveu também eliminar toda a violência desnecessária e nivelar com a classificação PG-13, afinal, como já havia dito, o cinema precisa de dinheiro e quer atingir o maior público possível!

O filme de Padilha é muito bom! Veja nossa crítica clicando aqui! Atualiza o Robocop de um jeito orgânico e real, mas então porque não agradou a todos? Pelo mesmo motivo já descrito acima, saudosismo, apego, mente fechada... O fato é que muitos dos filmes que todos gostam, são remakes de outros filmes. Os infiltrados por exemplo é um remake de um filme japonês, mas como o original não fez sucesso as pessoas não reclamam. Scarface também é um remake, O Chamado também, King Kong, Planeta dos Macacos e por aí vai.


Os remakes sempre existiram e sempre vão existir, mas para que eles deem certo as duas partes precisam colaborar. Os estúdios precisam colocar mais coração e menos dinheiro, precisam fazer um filme que eles realmente queiram mostrar, não apenas para ganhar dinheiro.

E nós precisamos também estar com a mente mais aberta, aceitar que o nosso filme favorito vai ser recontado com uma outra visão, ninguém vai apagar o antigo. Porque o relógio do mundo pode estar acelerado, mas os filmes ficarão para sempre esperando serem revisitados, revistos, repensados, refeitos... 

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